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segunda-feira, 15 de abril de 2013

Afinal os economistas sabem qual é a solução para Portugal

Uma das muitas anedotas usadas para criticar os economistas diz que um deles se encontrou numa ilha deserta com um engenheiro e um químico, tendo apenas uma lata fechada com comida. O engenheiro sugere um sistema de pesos e roldanas para abrir a lata, enquanto o químico pensa nos reagentes que possam dissolver a tampa. O economista resolve o problema concebendo um modelo que começa assim: "suponhamos que temos um abre-latas!"
[...]
Então qual a solução? Portugal mergulhou na crise passando 20 anos a fazer o contrário do que os economistas recomendam; não é provável que agora siga o que dizem. Mas se quiserem saber, a cura da crise é dieta no Estado e reestruturação da economia. A solução está em libertar as empresas e produção. Pode parecer estranho a quem só conhece anedotas, mas a boa teoria económica afirma que não há abre-latas fácil e a via para o progresso está na técnica, engenharia, química, etc.
João César das Neves, DN, hoje

Quanto a este excerto, há alguns reparos que gostaria de fazer. A saber:
a) O problema do químico é o reagente também "dissolver" a comida que está na lata!
b) O economista não resolve o problema de abrir a lata com um modelo!
c) Nem todos os economistas são bons ou recomendam o mesmo. Há 20 anos era 1.º ministro um economista. Há 7 anos que o presidente da República é um economista.
d) A cura e a solução propostas são muito vagas. É preciso propor medidas concretas.
e) É bom ver reconhecido que a via para o progresso está na técnica, engenharia, química. Mas só o reconhecimento não chega...

segunda-feira, 18 de março de 2013

Há Educação contra os professores?

Afirma o lugar-comum que não existe Educação sem alunos e que as escolas só fazem sentido em função dos alunos. É verdade, mas essa também é uma concepção redutora e truncada do processo educativo. Porque parece tornar os professores meros acessórios, dispensáveis, intermutáveis, peças simples de uma engrenagem, recursos dispendiosos que se podem sacrificar sem perda especial ou remorso particular.
[...]
Dizem que é preciso partirem mais 10.000 [professores] das escolas, que é para salvar o país.
Que país?
Que país existe depois de tudo isto?
Um país de campos de golfe, concertos de Verão, ministros equivalente, nomeações de coleguinhas da senhora ministra, liberais de aviário, escondidos em gabinetes, sorvendo subsídios em nome de um empreendedorismo medido em semestres.
[...]
Se a Educação não existe sem alunos, será que existirá contra os professores?

Paulo Guinote, in "Público"

terça-feira, 29 de janeiro de 2013

A ciência e a tecnologia deixaram de impulsionar o crescimento?

As relações entre ciência, tecnologia, inovação e crescimento económico são complexas e estão em permanente transformação.
[...]
A relação entre mais tecnologia e inovação e maior crescimento económico é verdadeira num mundo imaginado, em que o preço da energia não é volátil e não tem tendência a subir, em que os recursos naturais não se tornam escassos, em que os impactos negativos sobre o ambiente e a economia das externalidades negativas de algumas actividades humanas não existem e em que o sistema financeiro global se preocupa com as questões da equidade e da sustentabilidade.
[...]
A ciência e a tecnologia são cada vez mais importantes na nossa civilização e é imperioso apoiá-las, mas não nos podemos iludir ao pensar que vão resolver apenas por si próprias as disfuncionalidades do nosso sistema financeiro e económico e a incapacidade de construirmos um desenvolvimento sustentável que promova a equidade.

Filipe Duarte Santos, Público, hoje

sexta-feira, 18 de janeiro de 2013

Amstrong e o doping no desporto

A questão do doping, porém, não se deve colocar apenas no ciclismo. Se tantos escaparam numa modalidade em que há tantos controlos e em que os ganhos de performance com a dopagem têm grande implicação nos resultados, o que dizer de outras modalidades, em que a componente técnica é maior e há muito menos controlos? O que se passará no ténis, no futebol, no basquetebol, no voleibol e por aí fora?

Todos nós, que gostamos de desporto, temo-nos deixado encantar com histórias e feitos maravilhosos de atletas. Os que batem recordes na natação e no atletismo, os que jogam um encontro de ténis durante cinco horas, os que fazem grandes sprints no prolongamento de um jogo de futebol. Mas será que tudo isto está a ser feito de forma limpa? Será apenas fruto do treino e do talento ou, como Armstrong, cederam à tentação da batota?
Hugo Daniel Sousa, "Público", hoje

quinta-feira, 17 de janeiro de 2013

"A ideia perigosa da excelência"

No sistema científico nacional, nos concursos para financiamento de projectos, até há pouco tempo o nível mais alto de seriação era “excelente”, acompanhado de uma escala numérica, sendo, regra geral, os projectos “excelentes” recomendados para financiamento.
Em tempo de vacas magras, claro que a fasquia sobe e menos projectos são financiados, mas o último concurso teve uma novidade: a classificação de “excelente” deixou de ser o topo. Agora existem duas mais altas: “marcante” ou “notável” (outstanding no original em inglês) e “excepcional”. Um projecto “excelente” está agora longe da fasquia do financiamento, ficando a esperança de que tal epíteto sirva de palmadinha nas costas.
[...]
Combaterei sempre a promoção da mediocridade, na ciência, como noutra qualquer área, mas o que quero com este exemplo ilustrar é que, a partir de certos limites, a “excelência” ou a “exclusividade” são bem mais nocivas do que benéficas e não é só com estas elites que construímos o futuro. Algumas delas estão tão ocupadas nas suas redes de excelência que se esquecem de fazer escola, deixando um vazio na sua instituição quando o seu tempo físico acaba, muito mais difícil de colmatar do que se se tivesse apostado nalguma redundância e divisão de recursos.

Gonçalo Calado, in "Público", hoje.

quarta-feira, 12 de dezembro de 2012

Clima

2 pontos fortes do artigo do Prof. Filipe Duarte Santos, no "Público" de hoje:

1 - O nível médio do mar continuará a subir aceleradamente se não conseguirmos reduzir as emissões de gases com efeito de estufa. Todos estes avisos são especialmente importantes para Portugal, onde o risco de erosão, perda de terreno e inundação se irá agravar com a subida acelerada do nível médio do mar.


2 - Para as árvores e para o sistema terrestre as consequências de secas mais prolongadas e temperaturas mais altas são potencialmente dramáticas. As florestas tenderiam a passar de sumidouros para emissores de CO2 e as perdas de biodiversidade seriam muito elevadas. Também neste caso estamos perante um sério aviso para Portugal, dada a vulnerabilidade das nossas florestas às secas, às temperaturas mais elevadas e aos fogos.


Um artigo que merece uma profunda reflexão...

quinta-feira, 5 de julho de 2012

A água quente congela mais rápido que a água fria

A Royal Society of Chemistry (RSC) está a oferecer um prémio de 1000 libras para quem conseguir explicar, da melhor forma, por que razão a água quente congela mais rápido do que a água fria, quando ambas são submetidas às mesmas condições de congelamento.
O Público divulgou esta notícia (que está nas 10 notícias mais consultadas no sítio deste jornal) e há muitos leitores que se aventuram, nos comentários, a dar explicações. Será que o Público também vai premiar a melhor explicação nos comentários?


quarta-feira, 13 de junho de 2012

Sobreviver? aos exames?

Li, hoje de manhã, um dos títulos de 1.ª página do jornal Público e fiquei pasmado. É, no mínimo, infeliz o título escolhido para a notícia sobre os resultados das provas de Matemática do 4.º e 9.º ano (e que é repetido no interior do jornal): Alunos do 4.º e do 9.º ano não sobrevivem às provas de Matemática.
Não sobrevivem? às provas de Matemática? Nenhum exame escolar é uma questão de vida ou de morte. Muitos alunos sofreram uma desilusão nestas provas, mas continuam vivos e têm condições para fazer melhor da próxima vez.
Curiosamente, no sítio da internet do Público,o título desta notícia é diferente: Razia nos resultados de Matemática no 4.º e 9.º ano. Talvez tenham reconhecido que o título apresentado na versão em papel era desadequado.

quinta-feira, 7 de junho de 2012

Universidade militar

Paulo Rangel, no Público de 3.ª feira (e no seu blogue):
O ponto que mais impressiona é justamente a aparente indiferença ou apatia dos jovens perante os valores estratégicos e militares relacionados com a área da defesa nacional. Continuo a pensar que foi um erro acabar com o serviço militar obrigatório ou, pelo menos, acabar com ele sem lhe encontrar sucedâneos [...]
Pela especial adequação da idade média dos estudantes universitários, mulheres e homens, é decisivo criar pontes - e pontes regulares - entre a instituição militar e as instituições universitárias. Elas podem bem transformar-se numa "nova" unidade ou campo de treino...
[...] Basta conhecer as famílias de hoje para saber como seria impossível pedir aos pais, de todas as classes e níveis, o esforço de aceitar a partida dos seus filhos para uma guerra como foi a guerra colonial.
Interessará à Universidade transformar-se em "campo de treino" militar? Que Universidade pretendem os decisores políticos no futuro? Houve, há ou haverá alguma família, mesmo numerosa, que aceite a partida de um filho para uma guerra como a guerra colonial?

terça-feira, 15 de maio de 2012

"Processo revolucionário em curso", por Pedro Lomba

Pedro Lomba, na última página do "Público" de hoje: Na semana passada, duas das melhores universidades americanas, Harvard e MIT, anunciaram um programa milionário que lhes permitirá ensinar cursos através da Internet leccionados pelos seus melhores professores". [...] Aqueles que frequentarem os cursos terão direito a diploma e certificado. Seguirão as aulas nos seus computadores; reunirão com os professores e tutores no skype; entregarão trabalhos e exames por email. 
[...] Não é possível garantir que os cursos online tenham, de facto, êxito. O ensino depende de relações pessoais, toda uma interacção gerada dentro de uma sala de aula. E receber aulas de Harvard não é a mesma coisa do que estar em Harvard. Muita coisa se irá perder nestas salas virtuais.
Ainda assim, é bastante provável que este seja um processo revolucionário em curso. Imaginem os professores que conseguem captar a atenção de milhões? Passarão eles a ser os mais cobiçados [creio que o ponto de interrogação devia estar aqui e não na frase anterior]. Imaginem um aluno que pensa "por que é que hei-de ir para esta ou aquela universidade quando posso ir para Harvard sem sair de Lisboa?".

Mais uma pergunta: Será só imaginação ou será realidade num futuro próximo? O tempo dirá se algum dia veremos um professor a conseguir captar a atenção de milhões de alunos. É que actualmente muitos professores esforçam-se para captar a atenção de meia dúzia de alunos...
Já os alunos também podem pensar "por que hei-de ficar em casa em Lisboa, a tirar um curso pela Internet, quando posso ir para uma Universidade e aproveitar a vida académica?".

domingo, 29 de abril de 2012

O país político e o resto, por Pedro Lomba

No início de Abril, na última página do Público, tive oportunidade de ler a questão pertinente que Pedro Lomba lançou num artigo de opinião intitulado "O país político e o resto": “Qual a razão para os jornais e televisões domésticas estarem cheios de políticos em funções, deputados, antigos ministros, fazendo o papel de comentadores interessados, de jogadores e até de árbitros ou de pretensos observadores externos de um meio em que os próprios estão ou acabaram de estar profissionalmente envolvidos?”

Quando acabei de ler o referido artigo, e depois de meditar por uns minutos, tive vontade de responder a essa questão (pois Pedro Lomba admitia não saber a resposta...) num texto que enviaria ao Público. Contudo, acabei por não avançar por acreditar que o jornal não publicaria tal resposta (curiosamente, Pedro Lomba olha para a RTP e para a SIC, mas não olha para o próprio jornal Público, agora com as colaborações dos políticos Francisco Assis e Paulo Rangel).
Hoje encontrei uma referência na blogosfera à questão, em que a resposta que o autor do blogue dá é porque "lhes pagam [aos políticos]" e porque "convém aos patrões dos media ter ao seu serviço um grupo de políticos arregimentados e pagos". Concordo, mas eu iria mais longe. Os patrões dos media esperam tirar proveito da aposta em determinados políticos (e não me refiro às audiências). Além disso, os políticos precisam de fazer, constantemente, propaganda. Algumas páginas dos jornais e alguns programas de televisão transformaram-se em autênticos comícios!

sábado, 25 de fevereiro de 2012

Jeremy Lin, a nova estrela da NBA

Apesar de "não parecer" um bom jogador, Jeremy Lin foi contratado pelos Golden State Warriors, uma equipa menor, quando terminou o curso de economia, em Harvard, tornando-se, assim, no primeiro americano de ascendência asática a jogar na NBA. Mas a chegada de um novo treinador abriu-lhe as portas da rua.
Depois de recusado por vários clubes, Jeremy teve uma oportunidade nos New York Knicks, em janeiro, à experiência. Oportunidade relativa. O jovem era suplente dos suplentes.
No início de fevereiro, uma série de resultados desastrosos e de lesões na equipa levou o treinador a olhar para Jeremy Lin. Nos seus primeiros cinco jogos (cinco vitórias), o jovem marcou mais pontos do que qualquer iniciado, na época moderna da NBA. Contra o Toronto Raptors marcou um espetacular triplo, no último segundo de jogo, que deu a vitória à sua equipa.
A camisola com o n.º 17 de Jeremy já é o produto mais vendido, na loja online da NBA.
Visão (adaptado), 25 de fevereiro

terça-feira, 31 de janeiro de 2012

Voleibolistas de praia preparam-se para temporada de 2012

Um jornalista da Marca acompanhou um dia de trabalho (com imagens) dos voleibolistas de praia Herrera e Gavira, uma das duplas que sonha estar nos Jogos Olímpicos de Londres de 2012. Desde Novembro e até Abril (mês da 1.ª etapa do Circuito Mundial), a dupla espanhola treina 6 dias por semana, no sul de Tenerife (onde a temperatura é amena no Inverno), entre o ginásio e a praia.
Conclui o jornalista: o esforço do jogador, em qualquer acção de jogo, na areia da praia é 3 vezes maior do que o experimentado numa superfície plana. Que o esforço é maior na areia não há dúvida! Mas como é que se consegue quantificar o esforço?

terça-feira, 20 de dezembro de 2011

Miguel Maia entrevistado pelo "Record"

Em entrevista ao jornal desportivo "Record", Miguel Maia explica como, com tenra idade, jogava voleibol na rua, "com os portões das casas a servir de rede ou com fio amarrado a uma árvore e depois preso numa janela".

sábado, 10 de dezembro de 2011

Comer, andar e rir, nas proporções certas

Mais desporto é mais saúde? Nem sempre. Esta é a resposta que se encontra num artigo que saiu ontem no Público. Eis o final:
No desporto como no resto, a moderação é a palavra de ordem. Ou como dizia o sábio centenário [quando lhe perguntaram qual o segredo da sua longevidade]: "Coma metade, ande o dobro e ria o triplo".

domingo, 30 de outubro de 2011

Carl Djerassi

As duas disciplinas mais dominadas pelo homem são a ciência e a religião. Nesses casos, todas as regras, todo o jogo começou com homens. Isso está a mudar, mais rapidamente na ciência do que na religião. As mulheres estão a assumir poder na ciência. Como se vão safar esssas mulheres? O que vai mudar com isto? Como é que elas vão conciliar a maternidade com esse lado profissional?
Carl Djerassi, Público, 28 de Outubro

domingo, 16 de outubro de 2011

O poder do gestor

Não é a qualificação, o mérito e a lei da oferta e da procura que fazem com que um gestor ganhe muitos milhares de euros por mês: ele ganha-os por uma arbitragem política da sociedade que determina que o poder deve estar aí e não, por exemplo, num indivíduo que detém uma posição singular do saber e da ciência.
António Guerreiro, Expresso, 10 de Setembro (baseado num ensaio de Georg Simmel)

quarta-feira, 21 de setembro de 2011

O mundo das fraudes académicas

A revista "Visão" publicou, na sua edição de 15 de Setembro de 2011, um artigo intitulado "O mundo das fraudes académicas". Eis parte do texto da caixa de entrada: A praga dos plágios generalizou-se nas nossas universidades. De estudantes a professores, não há inocentes. Quase às claras, copia-se e compram-se teses de mestrado e doutoramento.
É óbvio que o artigo da revista "Visão" também foi copiado. Toca a dizer mal de tudo e de todos! Está na moda!
Mais a sério. Não se pode generalizar. Em todos os sectores da sociedade, há bons e maus exemplos. Infelizmente, destacam-se aqueles que dão garantia de vender mais jornais: os maus.

sábado, 17 de setembro de 2011

Deus e a Ciência

Não me lembro de ter visto tantos comentários a um artigo no DN. São quase 2000 comentários, a abordar a questão que constitui o título do artigo: Será que a Ciência provou que Deus não existe?
Por que razão a pergunta formulada não foi: Será que a Ciência provou (ou pode provar) que Deus existe?

quarta-feira, 8 de junho de 2011

Estupidez - Resposta a Paulo Varela Gomes

"...o procedimento científico é o seguinte: suponhamos que o leitor está a ver uma parede à sua frente. Olha, aprecia e determina: é uma parede. Mas um cientista não pode fazer isso. Tem que provar. Uma solução é dar uma grande cabeçada no objecto (...). Sem este método experimental não há ciência. Uma vez partida a cabeça, é preciso testar outra vez, porque uma prova não chega. Arranja-se mais um valente lenho na testa e já se pode publicar um artiguito numa revista internacional, dessas, das certificadas. (...)
Isto é assim nas ciências exactas (...)"
Este exemplo apresentado por Paulo Varela Gomes ("Estupidez", Público, 4 Junho) dá vontade de rir, mas, na minha opinião, não traduz o que se passa na Ciência.
1.º, seria fantástico se todos os "leitores" vissem a verdade científica: "é uma parede". Perante uma parede, uns vêem um muro, outros, um poste, outros, uma porta, etc.
2.º, O método utilizado ("a cabeçada") para provar que é uma parede não serve. Os cientistas têm de encontrar um método adequado, para conseguirem dar uma resposta fiável. "À cabeçada", a resposta tanto poderia ser um muro, um poste, uma porta, etc.