Já por seis vezes dei de caras com a morte. E por seis vezes a morte desviou os olhos e deixou-me passar. É claro que a morte vai acabar por me tolher o passo - como faz a toda a gente. A única questão é quando. E como.
Aprendi muito com os nossos encontros - principalmente sobre a beleza e a doce pungência da vida, sobre o valor inestimável dos amigos e da família e sobre a força transformadora do amor. [...] Adorava acreditar que, quando morrer, vou voltar a viver, que uma parte de mim que pensa, sente e recorda vai continuar.
[...] O mundo é tão admirável, tão cheio de amor e profundidade moral, que não há razão para nos iludirmos com lindas histórias sem sentido que se veja. Vale bem mais, acho eu, que na nossa vulnerabilidade olhemos a morte nos olhos e nos sintamos gratos em cada dia pela breve mas magnífica oportunidade que a vida nos dá.
Há anos que mantenho ao lado do espelho diante do qual faço a barba - para o ver todas as manhãs - um postal encaixilhado. [...] Diz assim: "Caro Amigo, Apenas umas linhas para mostrar que estou vivo e de saúde e a passar um belo bocado. Isto é o máximo! Seu, WJR"
(WJR viajava no "White Star Liner Titanic" e foi uma das 1500 vítimas do naufrágio deste navio).
Carl Sagan, in "Biliões e Biliões"
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sábado, 2 de julho de 2011
segunda-feira, 9 de novembro de 2009
Myanmar-Tailândia em voleibol
Suponha o leitor que, por acaso, liga o televisor e depara com uma competição em que não faz qualquer espécie de investimento emocional - por exemplo, um jogo particular de voleibol entre Myanmar e a Tailândia. Como é que decide por qual vai torcer? Mas espere aí: por que tem de torcer por alguém? Por que não se limita a apreciar o jogo? A maior parte das pessoas tem dificuldade em assumir uma postura distanciada deste tipo. Queremos participar na disputa, sentir-nos parte de uma equipa.
Carl Sagan, em "Biliões e Biliões"
Carl Sagan, em "Biliões e Biliões"
75.º aniversário do nascimento de Carl Sagan
Hoje só no DN encontrei uma referência a Carl Sagan, autor da série televisiva "Cosmos" (que em miúdo procurei acompanhar) e de vários livros interessantes (de "Cosmos" ou "Os Dragões do Éden" a "Biliões e Biliões"). Carl Sagan faleceu em 1996, a 20 de Dezembro.
Carl Sagan soube usar a televisão para chegar a milhões e tentar explicar os mistérios do universo e da ciência a leigos. No dia em que o astrónomo comemoraria 75 anos é editada uma canção que recupera a sua voz e excertos da famosa série 'Cosmos'. O respectivo vídeo está disponível 'online' no YouTube e já é um pequeno sucesso.
Carl Sagan soube usar a televisão para chegar a milhões e tentar explicar os mistérios do universo e da ciência a leigos. No dia em que o astrónomo comemoraria 75 anos é editada uma canção que recupera a sua voz e excertos da famosa série 'Cosmos'. O respectivo vídeo está disponível 'online' no YouTube e já é um pequeno sucesso.
sexta-feira, 14 de dezembro de 2007
"Conversas com Carl Sagan"
O Blogue De Rerum Natura deu a conhecer um excerto de uma entrevista a Carl Sagan, incluído no livro "Conversas com Carl Sagan", recentemente lançado pela editora Quasi.
"P. Como é que a ignorância acerca da ciência prejudica as pessoas no seu dia-a-dia?
R. Vivemos numa sociedade totalmente dependente da ciência e da tecnologia e no entanto arranjamos as coisas de forma a que quase ninguém compreenda a ciência e a tecnologia. Eis uma receita infalível para o desastre. Todos os dias são tomadas decisões em Washignton que irão afectar o nosso futuro, coisas como as auto-estradas da informação ou a redução dos arsenais nucleares, a investigação sobre o vírus da SIDA, o debate sobre se as drogas que aliviam as dores dos moribundos devem ser descriminalizadas, qual é o melhor rumo para que a América continue a liderar a indústria da tecnologia, como lidar com a diminuição da camada de ozono, ou o aquecimento global. É difícil encontrar-se algum aspecto das sociedades modernas que não dependa de tomadas de decisão inteligentes no âmbito da ciência e tecnologia. É suposto sermos uma democracia. É suposto que o povo se assegure de que os seus representantes votem correctamente. Como é que podem fazer isso se nem sequer conhecem os temas em cima da mesa, ou se os conhecem e não são capazes de entendê-los?
P. Porque é que as pessoas não estão a acompanhar a ciência?
R. (...) As causas, estou convencido, são as seguintes: a ciência é difícil, a ciência nem sempre vai de encontro aos nossos sonhos, a ciência nem sempre nos conforta, a ciência coloca imenso poder nas mãos de pessoas das quais temos todas as razões para desconfiar. Os cientistas são responsáveis, num certo sentido, através da engenharia, pela diminuição da camada de ozono, pelo aquecimento global e tudo o resto. Mas muitos cientistas dirão, 'alto lá, estamos apenas a fazer o nosso trabalho. Tudo isso resulta de má aplicação da ciência por parte dos governos e da indústria.' Até certo ponto, é verdade. E até certo ponto os cientistas têm sido muito corajosos ao chamarem a atenção para os perigos oferecidos por essas tecnologias. Porém, ainda assim, se não tivéssemos a ciência não teríamos estes problemas. Mas também teríamos uma esperança de vida de 25 anos, a mortalidade infantil seria imensa, e muitas das coisas que tornam a vida agradável não existiriam".
"P. Como é que a ignorância acerca da ciência prejudica as pessoas no seu dia-a-dia?
R. Vivemos numa sociedade totalmente dependente da ciência e da tecnologia e no entanto arranjamos as coisas de forma a que quase ninguém compreenda a ciência e a tecnologia. Eis uma receita infalível para o desastre. Todos os dias são tomadas decisões em Washignton que irão afectar o nosso futuro, coisas como as auto-estradas da informação ou a redução dos arsenais nucleares, a investigação sobre o vírus da SIDA, o debate sobre se as drogas que aliviam as dores dos moribundos devem ser descriminalizadas, qual é o melhor rumo para que a América continue a liderar a indústria da tecnologia, como lidar com a diminuição da camada de ozono, ou o aquecimento global. É difícil encontrar-se algum aspecto das sociedades modernas que não dependa de tomadas de decisão inteligentes no âmbito da ciência e tecnologia. É suposto sermos uma democracia. É suposto que o povo se assegure de que os seus representantes votem correctamente. Como é que podem fazer isso se nem sequer conhecem os temas em cima da mesa, ou se os conhecem e não são capazes de entendê-los?
P. Porque é que as pessoas não estão a acompanhar a ciência?
R. (...) As causas, estou convencido, são as seguintes: a ciência é difícil, a ciência nem sempre vai de encontro aos nossos sonhos, a ciência nem sempre nos conforta, a ciência coloca imenso poder nas mãos de pessoas das quais temos todas as razões para desconfiar. Os cientistas são responsáveis, num certo sentido, através da engenharia, pela diminuição da camada de ozono, pelo aquecimento global e tudo o resto. Mas muitos cientistas dirão, 'alto lá, estamos apenas a fazer o nosso trabalho. Tudo isso resulta de má aplicação da ciência por parte dos governos e da indústria.' Até certo ponto, é verdade. E até certo ponto os cientistas têm sido muito corajosos ao chamarem a atenção para os perigos oferecidos por essas tecnologias. Porém, ainda assim, se não tivéssemos a ciência não teríamos estes problemas. Mas também teríamos uma esperança de vida de 25 anos, a mortalidade infantil seria imensa, e muitas das coisas que tornam a vida agradável não existiriam".
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