Mostrar mensagens com a etiqueta educação. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta educação. Mostrar todas as mensagens

sexta-feira, 12 de junho de 2020

Sorte nos exames

Emílio então falou-me de si. (...)
Com a morte da mãe e do pai, aos 10 anos, um tio tomou conta dele. Era um tio-avô? - a única pessoa da família que lhe restava.(...)
O tio reaprendia com o sobrinho a verdade da juventude, colaborava com ele, portanto sem o "educar".
- Mas sem me contrariar ajudava-me imenso.
Passeava com ele, estudava com ele aplicadamente, dizia dos exercícios que Emílio fazia nas aulas: "correu-nos bem, apanhamos um 13"; ou: "não tivemos sorte desta vez". (...)
- Uma vez vim aqui (à estalagem do Jeremias) com o meu tio - disse.
- Bom, eu tinha feito um mau exercício. E tive nota baixa. Voltei a casa sucumbido. Ele viu-me assim "em baixo" e animou-me: "trabalhámos quanto pudemos, não é? Não tivemos foi sorte. Acho que merecemos uma recompensa, apesar de tudo. Vamos daí jantar ao Jeremias". Ora ele não sabia que eu não tinha pegado em livro. Quase nem comi. Doeu-me mais o "prémio" do que um castigo... Um castigo se calhar também une. Mas o velho tio era assim.
Adaptado de "Estrela Polar", de Vergílio Ferreira

segunda-feira, 18 de março de 2013

Há Educação contra os professores?

Afirma o lugar-comum que não existe Educação sem alunos e que as escolas só fazem sentido em função dos alunos. É verdade, mas essa também é uma concepção redutora e truncada do processo educativo. Porque parece tornar os professores meros acessórios, dispensáveis, intermutáveis, peças simples de uma engrenagem, recursos dispendiosos que se podem sacrificar sem perda especial ou remorso particular.
[...]
Dizem que é preciso partirem mais 10.000 [professores] das escolas, que é para salvar o país.
Que país?
Que país existe depois de tudo isto?
Um país de campos de golfe, concertos de Verão, ministros equivalente, nomeações de coleguinhas da senhora ministra, liberais de aviário, escondidos em gabinetes, sorvendo subsídios em nome de um empreendedorismo medido em semestres.
[...]
Se a Educação não existe sem alunos, será que existirá contra os professores?

Paulo Guinote, in "Público"

quarta-feira, 13 de junho de 2012

Sobreviver? aos exames?

Li, hoje de manhã, um dos títulos de 1.ª página do jornal Público e fiquei pasmado. É, no mínimo, infeliz o título escolhido para a notícia sobre os resultados das provas de Matemática do 4.º e 9.º ano (e que é repetido no interior do jornal): Alunos do 4.º e do 9.º ano não sobrevivem às provas de Matemática.
Não sobrevivem? às provas de Matemática? Nenhum exame escolar é uma questão de vida ou de morte. Muitos alunos sofreram uma desilusão nestas provas, mas continuam vivos e têm condições para fazer melhor da próxima vez.
Curiosamente, no sítio da internet do Público,o título desta notícia é diferente: Razia nos resultados de Matemática no 4.º e 9.º ano. Talvez tenham reconhecido que o título apresentado na versão em papel era desadequado.

terça-feira, 15 de maio de 2012

"Processo revolucionário em curso", por Pedro Lomba

Pedro Lomba, na última página do "Público" de hoje: Na semana passada, duas das melhores universidades americanas, Harvard e MIT, anunciaram um programa milionário que lhes permitirá ensinar cursos através da Internet leccionados pelos seus melhores professores". [...] Aqueles que frequentarem os cursos terão direito a diploma e certificado. Seguirão as aulas nos seus computadores; reunirão com os professores e tutores no skype; entregarão trabalhos e exames por email. 
[...] Não é possível garantir que os cursos online tenham, de facto, êxito. O ensino depende de relações pessoais, toda uma interacção gerada dentro de uma sala de aula. E receber aulas de Harvard não é a mesma coisa do que estar em Harvard. Muita coisa se irá perder nestas salas virtuais.
Ainda assim, é bastante provável que este seja um processo revolucionário em curso. Imaginem os professores que conseguem captar a atenção de milhões? Passarão eles a ser os mais cobiçados [creio que o ponto de interrogação devia estar aqui e não na frase anterior]. Imaginem um aluno que pensa "por que é que hei-de ir para esta ou aquela universidade quando posso ir para Harvard sem sair de Lisboa?".

Mais uma pergunta: Será só imaginação ou será realidade num futuro próximo? O tempo dirá se algum dia veremos um professor a conseguir captar a atenção de milhões de alunos. É que actualmente muitos professores esforçam-se para captar a atenção de meia dúzia de alunos...
Já os alunos também podem pensar "por que hei-de ficar em casa em Lisboa, a tirar um curso pela Internet, quando posso ir para uma Universidade e aproveitar a vida académica?".

segunda-feira, 23 de maio de 2011

O facilitismo no teste de Físico-Química do 9.º ano

Mas no teste de Ciências Físico-Químicas do 9.º ano terá ido longe de mais, exigindo a jovens de 15 anos que, entre outras coisas, saibam contar até 8. É certo que a prova permitia o uso de calculadora, mas afigura-se um exagero supor que, no final de 9 anos de escolaridade, os alunos já tenham aprendido a carregar 8 vezes na tecla 1 e, depois, na tecla "Total".
Se não, veja-se a pergunta de abertura do Caderno 2: "O sistema solar é constituído pelo Sol e pelos corpos celestes que orbitam à sua volta. Actualmente, considera-se que os planetas que fazem parte do sistema solar são Mercúrio, Vénus, Terra, Marte, Júpiter, Saturno, Urano e Neptuno. Em 2006, Plutão deixou de ser classificado como um planeta, embora continue a fazer parte do sistema solar. [Pergunta:] Actualmente, considera-se que o sistema solar é constituído por quantos planetas?".
Já no Caderno 1 se exigia também que os alunos soubessem que, a 100 ºC, a água entra em ebulição em vez de solidificar.

Excerto do artigo de Manuel António Pina, no JN de hoje

quarta-feira, 11 de maio de 2011

O Európio na Tabela Periódica




Esta apresentação do elemento químico Európio, feita por alunos da Escola Secundária Infante D. Henrique, no Porto, foi seleccionada para uma Tabela Periódica elaborada por alunos de Química de escolas de todo o Mundo (a maioria do Canadá e dos EUA). Esta Tabela Periódica é um projecto da revista "Chem 13 News" para assinalar o Ano Internacional da Química.


terça-feira, 7 de dezembro de 2010

Aprender a concentrar-se

Na escola [primária], espalhou-se a ideia de que não se deve repreender ninguém, de que não se deve corrigir, através de exercícios muitas vezes repetidos, uma tendência errada. Muitos pedagogos e muitos psicólogos pensam que se repreendermos ou corrigirmos uma criança estamos a criar uma frustração grave ou a bloquear a sua liberdade criativa. E os pais agravam a situação pondo-se do lado dos filhos e contra os professores. O resultado é que muitos não chegam a aprender a concentrar-se, a aplicar-se, a levar um raciocínio complexo até ao fim.
Francesco Alberoni, Jornal i, 7/12/2010

quarta-feira, 13 de janeiro de 2010

Carta de Amor


Carta de amor de uma criança, revelada no blogue Cinco Dias.

domingo, 6 de dezembro de 2009

A educação nos tempos da internet

Umberto Eco dá a seguinte sugestão para os professores, em entrevista publicada pelo i:
O professor deveria dizer: "Escolham qualquer assunto: a história da Alemanha ou a vida das formigas. Pesquisem em 25 páginas web diferentes, comparando-as, e tentem descobrir qual tem informação importante e pertinente". Se dez páginas disserem a mesma coisa, pode ser sinal de que essa informação está correcta. Mas isso também pode acontecer porque alguns sites se limitaram a copiar os erros dos outros.
Então é preferível dizer: Pesquisem algumas páginas web e comparem a informação encontrada com aquela que se encontra em livros de História ou de Ciências (para os assuntos referidos).

segunda-feira, 9 de novembro de 2009

Pai galinha

Segundo uma socióloga, ouvida pelo Público, existem 3 tipos de pais: galinha, formiga e galo. Associar um pai a uma galinha é no minímo estranho. Não há nenhum animal macho que cuide das suas crias? Pode ser pai pica-pau ou pai sagui.

sábado, 17 de outubro de 2009

Ser Professor, por Jô Soares

O material escolar mais barato que existe na praça é o professor!
É jovem, não tem experiência. É velho, está superado.
Não tem automóvel, é um pobre coitado. Tem automóvel, chora de "barriga cheia".
Fala em voz alta, vive gritando. Fala em tom normal, ninguém escuta.
Não falta ao colégio, é um "Adesivo". Precisa faltar, é um "turista".
Conversa com os outros professores, está "malhando" nos alunos. Não conversa, é um desligado.
Dá muita matéria, não tem dó do aluno. Dá pouca matéria, não prepara os alunos.
Brinca com a turma, é metido a engraçado. Não brinca com a turma, é um chato.
Chama a atenção, é um grosso. Não chama a atenção, não se sabe impor.
A prova é longa, não dá tempo. A prova é curta, tira as hipóteses do aluno.
Escreve muito, não explica. Explica muito, o caderno não tem nada.
Fala correctamente, ninguém entende. Fala a "língua" do aluno, não tem vocabulário.
Exige, é rude. Elogia, é debochado.
O aluno é retido, é perseguição. O aluno é aprovado, deitou "água-benta".
É! O professor está sempre errado, mas, se conseguiu ler até aqui, agradeça a ele”.

domingo, 13 de setembro de 2009

Erros em Português em escritos académicos

Um artigo interessante, nesta altura de regresso à escola, no DN, da autoria de Anselmo Borges:
Fica aí uma súmula de erros em Português em escritos académicos recentes de estudantes universitários. Erro constante é o de colocar o verbo haver no plural, quando deveria ser colocado no singular. Note-se, porém, que este erro é frequente mesmo em professores dos diversos graus de ensino, ministros, gestores, advogados... Exemplos: "haviam muitas possibilidades", "poderiam haver outros partidos". Neste caso, será preciso perguntar qual é o sujeito.
Uma boa pontuação é rara e uma bênção, pois dificilmente se sabe colocar uma vírgula no lugar certo. Mas não é raro colocá-la imediatamente a seguir ao sujeito da frase. Será então preciso perguntar: qual é a lógica que preside à coisa?
Agora, casos concretos: "o homem dasse a conhecer"; "vou reflectir à cerca de outro tema"; "deve-se dizer não há violência"; "se ele mandá-se, como seria?"; "há-dem ver" - aqui, observo que já ouvi esta a um ministro; "o nosso tempo trás de volta o mito"; "isto nada tem haver com o que foi dito"; "à muito tempo que é assim"; "tratam-se de questões complexas" - é muito frequente ouvir este erro na televisão, na rádio e em conferências; "vamos, quando quiser-mos"; "é assim; senão vejamos" - outro erro comum.

Como escreve o autor, o étimo de professor é profiteor: declarar abertamente, confessar publicamente, proclamar, obrigar-se a, dar a conhecer, entregar uma mensagem, ensinar.

Universidade do Porto esgota todas as vagas

A Universidade do Porto preencheu todas as vagas que disponibilizou (4052) na 1.ª fase. Um feito inédito no ensino superior em Portugal.
Eis as notícias no DN e no Público.

quarta-feira, 1 de julho de 2009

Jesus e o sistema educativo

Texto humorístico que circula na Net:
Naquele tempo, Jesus subiu ao monte seguido pela multidão e, sentado sobre uma grande pedra, deixou que os seus discípulos e seguidores se aproximassem. Depois, tomando a palavra, ensinou-os, dizendo:- Em verdade vos digo: Bem-aventurados os pobres de espírito, porque deles é o reino dos céus. Bem-aventurados os que têm fome e sede de justiça, porque serão saciados. Bem-aventurados os misericordiosos, porque eles...
Pedro interrompeu:- Temos que aprender isso de cor? André disse:- Temos que copiá-lo para o papiro? Simão perguntou:- Vamos ter teste sobre isso? Tiago, o Menor queixou-se:- O Tiago, o Maior está sentado à minha frente, não vejo nada! Tiago, o Maior gritou:- Cala-te queixinhas! Filipe lamentou-se:- Esqueci-me do papiro-diário. Bartolomeu quis saber:- Temos de tirar apontamentos? João levantou a mão:- Posso ir à casa de banho? Judas Iscariotes exclamou(Judas Iscariotes era mesmo malvado, com retenção repetida e vindo de outro Mestre):- Para que é que serve isto tudo? Tomé inquietou-se:- Há fórmulas? Vamos resolver problemas? Judas Tadeu reclamou:- Podemos ao menos usar o ábaco? Mateus queixou-se:- Eu não entendi nada... ninguém entendeu nada!
Um dos fariseus presentes, que nunca tinha estado diante de uma multidão nem ensinado nada, tomou a palavra e dirigiu-se a Ele, dizendo:- Onde está a tua planificação? Qual é a nomenclatura do teu plano de aula nesta intervenção didáctica mediatizada? E a avaliação diagnóstica? E a avaliação institucional? Quais são as tuas expectativas de sucesso? Tens a abordagem da área em forma globalizada, de modo a permitir o acesso à significação dos contextos, tendo em conta a bipolaridade da transmissão? Quais são as tuas estratégias conducentes à recuperação dos conhecimentos prévios? Respondem estes aos interesses e necessidades do grupo de modo a assegurar a significatividade do processo de ensino-aprendizagem? Incluíste actividades integradoras com fundamento epistemológico produtivo? E os espaços alternativos das problemáticas curriculares gerais? Propiciaste espaços de encontro para a coordenação de acções transversais e longitudinais que fomentem os vínculos operativos e cooperativos das áreas concomitantes? Quais são os conteúdos conceptuais, processuais e atitudinais que respondem aos fundamentos lógico, praxeológico e metodológico constituídos pelos núcleos generativos disciplinares, transdisciplinares, interdisciplinares e metadisciplinares?
Caifás, o pior de todos os fariseus, disse a Jesus:- Quero ver as avaliações do primeiro, segundo e terceiro períodos e reservo-me o direito de, no final, aumentar as notas dos teus discípulos, para que ao Rei não lhe falhem as previsões de um ensino de qualidade e não se lhe estraguem as estatísticas do sucesso. Serás notificado em devido tempo pela via mais adequada. E vê lá se reprovas alguém! Lembra-te que ainda não és titular e não há quadros de nomeação definitiva!
E Jesus pediu a reforma antecipada aos trinta e três anos...

sábado, 27 de junho de 2009

Exames

"Não negando uma evolução dos exames, que acompanhou alguma evolução dos programas e dos tempos e nos trouxe tópicos mais actuais e contextos mais modernos, há traços muito preocupantes nas provas actuais. O primeiro é o seu diminuto grau de exigência. O segundo é a insistência infantilizante na contextualização, que é inimiga da capacidade de abstracção. O terceiro é a trivialidade extrema dos cálculos e procedimentos testados".
Isabel Hormigo, no "Público" de hoje.

segunda-feira, 25 de maio de 2009

quarta-feira, 25 de março de 2009

7.ª Mostra da UP


A 7.ª Mostra da UP - Ciência, Ensino e Inovação decorre entre amanhã e domingo. As 14 faculdades e 14 dos mais importantes centros de investigação da Universidade do Porto levam os seus laboratórios e salas de aula para o Pavilhão Rosa Mota, com o apoio de centenas de professores, investigadores e estudantes, para dar a conhecer as actividades de ensino e investigação realizadas na maior universidade do país. A entrada é livre para todos.

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2009

Investigação em voleibol

Estive hoje de manhã no 2.º Encontro de Jovens Investigadores da UP e tive a oportunidade de assistir a duas comunicações orais, na área das ciências do desporto, relacionadas com o voleibol. Na 1.ª, intitulada "Offensive Paterns in volleyball-A comparative study between two zone models of attack analysis", foram apresentados alguns resultados da análise estatística de 12 jogos da Liga Mundial e Campeonato da Europa de 2005. Como seria de esperar, as zonas mais solicitadas no ataque são a zona 4 e 2, tendo-se verificado na zona 2 maior percentagem de erros do atacante.
A 2.ª comunicação intitulava-se "The relationship between the pedagogical content intervention and the moment of coaches intervention, in volleyball". Neste estudo, baseado na análise de sessões de treino de 24 treinadores portugueses de voleibol nos escalões sub-14 e sub-18, concluiu-se que os treinadores preferem intervir como resposta ao desempenho dos atletas, em vez de recorrerem à pré-instrução.
Estes trabalhos decorreram sob a supervisão da Prof. Isabel Mesquita.

quinta-feira, 20 de novembro de 2008

Portugal foi embalado pelo samba

1 - Pelos vistos, a selecção portuguesa de futebol resolveu fazer aquilo que eu fiz enquanto decorria o jogo contra o Brasil: dormir.
2 - Não deixa de ser curiosa esta estratégia de figuras conhecidas da nossa praça desdobrarem-se em declarações (até à exaustão) quando estão "debaixo de fogo". Depois de, na semana anterior, o seleccionador nacional Carlos Queiroz ter surgido no programa "Grande Entrevista", de Judite de Sousa, esta semana (hoje) é a vez da ministra da Educação, Maria de Lurdes Rodrigues. Estas personalidades têm sempre tempo de antena. Eu é que não tenho tempo para ouvi-las. Mas de uma coisa estou certo, não é por elas falarem muito que os bons resultados aparecem ou a situação se resolve...

segunda-feira, 17 de novembro de 2008

Aprender matemática


A propósito do lançamento, em Portugal, de "Aritmética para os Pais", o autor do livro, Ron Aharoni, deu uma entrevista ao Público. Eis algumas frases de destaque:
A Matemática deve ser aprendida por etapas e nenhuma deve ser deixada para trás, porque se isso acontecer não vamos conseguir compreender o que se segue.
Os manuais que existem vão na direcção errada, porque promovem actividades divertidas e a aprendizagem fica perdida. O problema é que os livros saltam etapas ou seguem teorias modernas.
A Matemática não tem que ser divertida, mas compreendida.
Usar uma calculadora na aula de Matemática é como pôr os alunos a conduzir automóveis em vez de correrem na aula de Educação Física.
Se elas [as crianças] podem aprender com o computador? Todas as tentativas feitas até hoje nesse sentido falharam. Não sei se porque as crianças preferem brincar no computador do que trabalhar...